25 DE ABRIL? 25 DE ABRIL!

Bruno Miguel Filipe ·
25 DE ABRIL? 25 DE ABRIL!

★I. A QUESTÃO COLONIAL

Há 48 anos, em 1974, ocorre a Revolução de Abril liderada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) aliado às milícias do povo português. Ora, o MFA surge em ‘73 como um movimento liderado por Otelo Saraiva de Carvalho e Salgueiro Maia e composto na sua maioria por capitães retornados da Guerra Colonial com o objectivo de reivindicar o prestígio das forças armadas. No entanto, com a já esperada queda do Estado Novo, este acaba por atingir o regime político em vigor que com o já reduzido poder militar e uma adesão em massa das forças populares ao movimento – que contra as indicações e comunicados do MFA saíram às ruas com as suas próprias reivindicações sociais – o Estado não tem qualquer capacidade eficaz de reação e acaba, assim, por cair.

No entanto, desmontando a farsa que nos vendem desde novos de que o 25 de Abril foi uma revolução sem sangue, cabe realçar que Portugal só pôde, de facto, usufruir deste dia da maneira que usufruiu porque o sangue já tinha sido derramado nas trincheiras africanas, no Tarrafal, em Peniche, Caxias, nas sedes e esquadras da PIDE/DGS, onde milhares de vidas foram roubadas. Só existiu em Portugal uma revolução democrática, no real sentido da palavra, porque primeiro milhares de jovens africanos se revoltaram, nos seus países, contra os regimes coloniais que lhes eram violentamente impostos, milhares de jovens que sonharam e que sabiam que o destino dos seus países estava nas suas mãos. Foram estas revoltas que, consciente ou inconscientemente, inspiraram o povo português a sair às ruas e o MFA a actuar da maneira que actuou.

★II. A REVOLUÇÃO TRAÍDA

É também urgente e necessário notar que durante todo o processo revolucionário houveram desde cedo golpes contra-revolucionários que culminariam, quando a burguesia se sentira de tal ordem asfixiada, no 25 de Novembro de 1975 desencadeado pelo infame Verão Quente. Mas já em Julho de ‘74, com a queda do 1º Governo Provisório, se começaram a ouvir incitações à contra-revolução. Spínola apela, nessa altura, àquilo que ele chamou de maioria silenciosa do povo português a manifestar-se contra o PREC e contra o que ele considerou ser um governo com uma política totalitária. Pois, para os capitalistas e imperialistas, o Poder Popular é,nada mais nada menos, do que um governo totalitário onde o povo é liberto e a burguesia amordaçada.

Houveram, no entanto, movimentos de esquerda que em seios de poder tomaram decisões que, à época, acharam ser as mais sensatas, mas que a história demonstrou serem mal julgadas e contrárias aos príncipios primordiais previstos na Revolução. Muitos desses movimentos, alguns ainda actuais, demonstram de forma cíclica uma má interpretação dessa história e que em nada contribui para a unificação da esquerda em prol das conquistas de Abril e do progresso revolucionária do nosso país.

★III. ÀS CONQUISTAS DE ABRIL

Em suma, é importante recordar sempre que com a Revolução do 25 de Abril, a sociedade portuguesa viu nascer um novo dia, viu nascer o progresso e quis construir, com isto, um novo mundo. As vitórias da revolução foram muitas, criaram-se condições para um desenvolvimento económico, social, político e cultural dinâmico e de acordo com os interesses, as necessidades e as aspirações do povo português.

Esta é a ideia que devemos reter acerca do dia de hoje, com a confiança de que juntos salvaguardemos as conquistas que nos restam, recuperemos aquelas que nos foram roubadas e construiremos novamente o caminho para o progresso, o caminho para as novas conquistas de acordo com os interesses, as necessidades, as aspirações e as vontades do povo, por um novo 25 de Abril. E que, desta vez, não nos esqueçamos que no dia 25 de Abril de ‘74 haviam milhares com cravos e poucos de armas nas mãos, não nos esqueçamos que os cravos foram distribuidos por todos mas que as armas só foram entregues a alguns. Os cravos são importantes mas, da próxima vez, não nos esqueçamos que as armas também são importantes.

Viva a Resistência Antifascista! Viva a Esquerda Revolucionária! Viva o 25 de Abril!